Nevralgia do Trigêmeo

 

A dor na neuralgia do trigêmeo é paroxística, ou seja, muito curta, lancinante e similar à sensação de choque elétrico. É bastante forte, atingindo a intensidade máxima sem latência e, tipicamente, dura alguns segundos, embora possa permanecer por até dois minutos. A dor é mais intensa pela manhã e costuma não ocorrer durante o sono. Ataques múltiplos podem ocorrer diariamente por semanas ou meses. A maioria dos pacientes tem períodos curtos livres de dor, mas alguns não conseguem percebê-los e referem dor contínua, em peso. Outros apresentam, entre as crises, dor residual persistente e em queimação, latejante ou em aperto. Esses pacientes costumam ter prognóstico pior de resposta ao tratamento em relação aos que só têm dor paroxística. A dor atinge apenas o território do quinto nervo. Alguns autores referem predominância pelo lado direito da face, sendo pouco frequente no ramo oftálmico (tabela 1). Somente em 4 % dos casos a dor é bilateral e muitos destes sofrem de esclerose múltipla. A dor sempre se limita a um lado da face; mesmo nos casos bilaterais nunca é síncrona (Rozen, 2004).

Fig. 1 - Área de inervação do trigêmeo. Três ramos (V1,V2 e V3) - Oftálmico, Maxilar e Mandibular, respectivamente.

 

     A neuralgia do trigêmeo é um transtorno álgico facial bem distinto, caracterizado por dor localizada na face, intensa , breve e paroxística (início e término súbitos) , semelhante a choque, espontânea ou desencadeada por estímulos triviais.

       Considerada uma das piores doenças dolorosas, muitos pacientes relatam que a neuralgia trigeminal é a pior dor do mundo,  isso acontece  por dois grandes motivos:

 

1- intensidade da dor - A neuralgia, como o próprio nome diz, é uma dor neuropática, devido a compressão do nervo trigemeo que é responsável pela sensibilidade da face, esta parte do corpo, conjuntamente com as mãos e os órgãos sexuais, detêm o maior número de receptores sensitivos por cm 2.

2- número de crises por dia - Na nevralgia trigeminal, a duração da dor é característica marcante e ímpar para o diagnostico diferencial entre as outras doenças dolorosas da face. Na neuralgia do trigemeo a duração da dor é breve,  o choque ou fincada de dor aguda dura sempre menos de 2 minutos,  porém podem  acontecer mais de 100  episódios por dia, sendo que a média, se o paciente evita de sofrer estimulo, 6 a 12 crises diárias

 

       A dor é limitada ao território de inervação de um ou mais divisões do quinto nervo craniano (fig. 1. V1, V2, V3), com curso que pode ser remitente ou recorrente, com períodos de exacerbação.

        Mais de 50% dos pacientes têm, ao menos, seis meses de remissão durante o curso da doença e em 24% essa remissão dura, pelo menos, um ano.

 

      A neuralgia do trigêmeo é a neuralgia facial mais frequente. Nos Estados Unidos da América, ocorrem aproximadamente 15.000 casos novos por ano, com predomínio no grupo etário mais velho, podendo causar grande comprometimento das atividades. Estudos epidemiológicos estimam a incidência anual da neuralgia do trigêmeo em torno de 25 a 57 casos por milhão de pessoas na população geral, com pico de maior incidência na faixa etária entre quinta e sétima décadas, de tal forma que 90% dos pacientes afetados têm mais que 40 anos de idade. Há preponderância no sexo feminino, numa relação de 1,5 a 2.

    A incidência em pacientes com esclerose múltipla é estimada em 1% e lesões da esclerose múltipla são encontradas em cerca de 3% dos pacientes com neuralgia do trigêmeo. Casos familiares são pouco comuns, mas foram reportados e, nesses casos, a dor muitas vezes é bilateral. (Youkilis e Sagher, 2004).

 

 

A Nevralgia trigeminal - ramos do trigêmeo V1 , V2 e V3. Existe cura com descompressão microcirúrgica

A pior dor do mundo

Nevralgia TRIGEMINAL
QUE NAO MELHORA COM MEDICAÇÃO 
é uma urgência

Fig 3. Nesta figura está representado o local (região malar V2) mais comumente acometido e a idade de maior manifestação (>60 anos)

O nervo trigêmeo é o responsável por transmitir a sensibilidade da face para o cérebro, portanto ele começa nas terminações sensitivas da pele do rosto que se agrupam e formam três feixes (V1, V2 e V3) responsáveis por receber as informaçoes da regiao oftámica (olhos), maxilar (região da arcada dentária superior) e mandibular, resepectivamente.

O que causa a Nevralgia trigeminal?

A compressão do nervo dentro do crânio, por um vaso sanguíneo , em geral uma artéria, é a causa da nevralgia trigeminal clássica (87% dos casos).

Geralmente, a artéria implicada nesta compressão é a ACS(artéria cerebelar superior), sendo que isto ocorre paulatinamente, no decorrer da vida; principalmente em pessoas que desenvolvem alterações da forma e do trajeto arterial (dolico-ectoasias), também explica porque os idosos são cada vez mais acometidos desse mal. Um outro fator de risco é a hipertensão arterial mal controlada.

O diagnóstico da neuralgia do trigêmeo clássica é essencialmente clínico, ou seja, pode ser feito somente, com uma completa história da moléstia e um exame neurológico que necessariamente, será normal.

Já a neuralgia do trigêmeo sintomática, tem sua causa ligada a lesões do nervo trigêmeo causadas por outras doenças, sendo a Esclerose Múltipla e a compressão por um tumor intracraniano , as causas mais comuns, vale ressaltar que, a nevralgia causada pela esclerose múltipla não partilha da mesma eficácia terapêutica da nevralgia clássica.

O único exame usado para evidênciar o conflito vascular com o nervo trigemeo é a Ressonancia magnética(RM) do encéfalo, que em sua sequência T2 cortes finos, geralmente mostra o conflito com o nervo trigêmeo justamente quando este adentra o tronco cerebral (base da ponte). Além disso, a RM consegue ajudar o neurologista a descartar a nevralgia sintomática. Na nossa experiência , somente é válido realizar a ressonância nestas sequências se existe a opção de tratamento microcirúrgico ou se existe suspeita da forma sintomática.

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  • Dr Eric Grossi Neuro

Neuralgia do Trigêmeo - a pior dor do mundo, mas o que poucos sabem é que tem cura

Atualizado: 8 de ago.


 

A neuralgia do trigêmeo é um transtorno álgico facial bem distinto, caracterizado por dor localizada na face, intensa , breve e paroxística (início e término súbitos) , semelhante a choque, espontânea ou desencadeada por estímulos triviais.

Considerada uma das piores doenças dolorosas que existem, muitos pacientes relatam que a neuralgia trigeminal é a pior dor do mundo, isso acontece por dois grandes motivos:


  • 1- intensidade da dor - A neuralgia, como o próprio nome diz, é uma dor neuropática, devido a compressão do nervo trigemeo que é responsável pela sensibilidade da face, esta parte do corpo, conjuntamente com as mãos e os órgãos sexuais, detêm o maior número de receptores sensitivos por cm 2.

  • 2- número de crises por dia - Na nevralgia trigeminal, a duração da dor é característica marcante e ímpar para o diagnostico diferencial entre as outras doenças dolorosas da face. Na neuralgia do trigemeo a duração da dor é breve, o choque ou fincada de dor aguda dura sempre menos de 2 minutos, porém podem acontecer mais de 100 episódios por dia, sendo que a média, se o paciente evita de sofrer estimulo, 6 a 12 crises diárias

A dor é limitada ao território de inervação de um ou mais divisões do quinto nervo craniano (fig. 1. V1, V2, V3), com curso que pode ser remitente ou recorrente, com períodos de exacerbação.


Mais de 50% dos pacientes têm, ao menos, seis meses de remissão durante o curso da doença e em 24% essa remissão dura, pelo menos, um ano.

 

A neuralgia do trigêmeo é a neuralgia facial mais frequente. Nos Estados Unidos da América, ocorrem aproximadamente 15.000 casos novos por ano, com predomínio no grupo etário mais velho, podendo causar grande comprometimento das atividades. Estudos epidemiológicos estimam a incidência anual da neuralgia do trigêmeo em torno de 25 a 57 casos por milhão de pessoas na população geral, com pico de maior incidência na faixa etária entre quinta e sétima décadas, de tal forma que 90% dos pacientes afetados têm mais que 40 anos de idade. Há preponderância no sexo feminino, numa relação de 1,5 a 2.


Na grande maioria das vezes a Tomografia é normal, devido a maior causa ser um conflito entre o nervo trigêmeo e uma artéria, mesmo a ressonância magnética é muitas vezes também normal. São causas muito raras a esclerose múltipla, anomalias crânio cervicais e tumores do próprio nevo, nestes casos normalmente o exame clínico neurológico está alterado o que não ocorre na neuralgia trigeminal clássica. A incidência em pacientes com esclerose múltipla é estimada em 1% e lesões da esclerose múltipla são encontradas em cerca de 3% dos pacientes com neuralgia do trigêmeo.



Casos familiares são pouco comuns, mas foram reportados e, nesses casos, a dor muitas vezes é bilateral.


A dor na neuralgia do trigêmeo é paroxística, ou seja, muito curta, lancinante e similar à sensação de choque elétrico. É bastante forte, atingindo a intensidade máxima sem latência e, tipicamente, dura alguns segundos, embora possa permanecer por até dois minutos.


A dor é mais intensa pela manhã e costuma não ocorrer durante o sono. Ataques múltiplos podem ocorrer diariamente por semanas ou meses.


A maioria dos pacientes tem períodos curtos livres de dor, mas alguns não conseguem percebê-los e referem dor contínua, em peso. Outros apresentam, entre as crises, dor residual persistente e em queimação, latejante ou em aperto.



Esses pacientes costumam ter prognóstico pior de resposta ao tratamento em relação aos que só têm dor paroxística. A dor atinge apenas o território do quinto nervo.


Alguns autores referem predominância pelo lado direito da face, sendo pouco frequente no ramo oftálmico


Somente em 4 % dos casos a dor é bilateral e muitos destes sofrem de esclerose múltipla. A dor sempre se limita a um lado da face; mesmo nos casos bilaterais nunca é síncrona



 
Nevralgia TRIGEMINAL QUE NAO MELHORA
COM MEDICAÇÃO é uma urgência

 Neuralgia do trigemeo retratada nesta figura está representado o local (região malar V2) mais comumente acometido e a idade de maior manifestação (>60 anos)
Nesta figura está representado o local (região malar V2) mais comumente acometido e a idade de maior manifestação (>60 anos)


O nervo trigêmeo é o responsável por transmitir a sensibilidade da face para o cérebro, portanto ele começa nas terminações sensitivas da pele do rosto que se agrupam e formam três feixes (V1, V2 e V3) responsáveis por receber as informaçoes da regiao oftámica (olhos), maxilar (região da arcada dentária superior) e mandibular, respectivamente.




O que causa a Nevralgia trigeminal?


A causa da neuralgia trigeminal é em sua grande maioria devido a um conflito entre um vaso e o nervo trigemeo
A compressão do nervo dentro do crânio, por um vaso sanguíneo , em geral uma artéria, é a causa da nevralgia trigeminal clássica (87% dos casos).


Geralmente, a artéria implicada nesta compressão é a ACS(artéria cerebelar superior), sendo que isto ocorre paulatinamente, no decorrer da vida; principalmente em pessoas que desenvolvem alterações da forma e do trajeto arterial (dolico-ectoasias), também explica porque os idosos são cada vez mais acometidos desse mal. Um outro fator de risco é a hipertensão arterial mal controlada. ​ O diagnóstico da neuralgia do trigêmeo clássica é essencialmente clínico, ou seja, pode ser feito somente, com uma completa história da moléstia e um exame neurológico que necessariamente, será normal. ​ Já a neuralgia do trigêmeo sintomática, tem sua causa ligada a lesões do nervo trigêmeo causadas por outras doenças, sendo a Esclerose Múltipla e a compressão por um tumor intracraniano , as causas mais comuns, vale ressaltar que, a nevralgia causada pela esclerose múltipla não partilha da mesma eficácia terapêutica da nevralgia clássica.



  • O diagnóstico dessa doença é totalmente clínico e nenhum exame complementar afirmará que você é portador de neuralgia do trigêmeo, ao contrário, a Tomografia Computadorizada de crânio será normal e a Ressonância Magnética do crânio se não realizada visando a procura da compressão do nervo será também normal





O único exame usado para evidência o conflito vascular com o nervo trigemeo é a Ressonância magnética (RM) do encéfalo, porém deve ser realizado sua sequência T2 cortes finos, o que em geral somente se é realizada quando solicitado pelo neurocirurgião e geralmente mostra o conflito com o nervo trigêmeo justamente quando este adentra o tronco cerebral (base da ponte). Além disso, a RM consegue ajudar o neurologista a descartar a nevralgia sintomática.


Na nossa experiência , somente é válido realizar a ressonância nestas sequências se existe a opção de tratamento microcirúrgico ou se existe suspeita da forma sintomática.




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